Conheça 2 projetos incríveis de automaquiagem para cegas

Conheça 2 projetos incríveis de automaquiagem para cegas
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Pensando em elevar a baixa autoestima de mulheres com algum tipo de deficiência visual que uma rede de salões Jacques Janine e a Maybelline criaram uma iniciativa inspiradora. Conheça mais sobre essa iniciativa linda.

Primeiro, você deve fazer um teste. Feche os seus olhos por um momento e tente imaginar como seria se você não pudesse enxergar. Você acha que deixaria de admirar e de cuidar do seu lindo rosto?

É uma questão que não aparece no dia a dia de muitas de nós, mulheres. Mas a baixa autoestima é um problema bem grande e é enfrentado por diversas mulheres e diariamente por aquelas mulheres que não possuem cem por cento da sua visão.

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Pensando nisso, foi com esse objetivo de tentar transformar a percepção das mulheres que tinham um certo descaso ou até uma raiva por aquilo que deveria funcionar, mas não funciona, que a rede de salões Jacques Janine com uma parceria com a Laramara (Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual), deram duas edições de um curso de maquiagem para mulheres que são cegas ou que possuem baixa visão. Que incrível, não é mesmo?

O curso foi assim: duas aulas semanais com duração de duas horas cada. Contou com a participação de 21 meninas até o momento, mas é só o começo de um caminho que ainda tem muita estrada para ser percorrido.

Já para o próximo curso, que é todo gratuito, estarão previstas pelo menos 40 interessadas, já na lista de espera. A faixa etária do grupo é bem variada, tem participantes dos 20 aos 60 anos. Com cinco profissionais, cada uma acompanha bem de perto os pares de mulheres para que elas aprendam a passar um delineador, descobrir como encontrar o tom de base para a sua pele, dentre tantas outras coisas.

O maior proposito da oficina é tentar reafirmar a confiança que essas mulheres tem e mostrar que o que elas fazem é muito bonito e é correto, mesmo que elas não possam enxergar. Havia uma menina dentro do curso que tinha perdido a visão de um jeito muito traumático para ela e ela acabou rejeitando a região dos seus olhos, tanto que nem gostava de tocar nos seus olhos.

Depois disso, ela conseguiu vencer essa barreira e voltou a interagir com os seus olhos. Não é porque o seu corpo não cumpre a função que ele deveria cumprir que você não deve deixa-lo lindo.

Um grande exemplo de superação também é uma moça que não tirava os seus óculos que eram bem grandes do seu rosto.

Ela tinha vergonha e não queria mostrar para os outros a sua deficiência. Com o tempo, ela foi deixando de lado o óculos e perdendo o medo de se esconder atrás dele. É bem gratificante acompanhar todo esse processo do começo, porque todas elas possuem uma história de vida diferente e isso faz com que cada uma delas possua uma habilidade de maquiagem também diferente.

Todas elas possuem uma sensibilidade e uma capacidade sem tamanho, por isso que é sempre bom pensar que todo mundo tem o que ensinar para o outro e essa interação faz com que todos os lados saiam aprendendo.

A grande surpresa da segunda edição do evento foi garantida pela presença de uma ex aluna, Ana Claudia Domingues, foi ela quem desempenhou o papel de tutora dessa vez, durante as aulas. A Ana perdeu a sua visão depois de ter sido diagnostifcada com retinose pigmentar.

Ana achava que não iria usar mais maquiagem no seu dia a dia e que não conseguiria nem maquiar os seus olhos, pois é uma região sensível do seu rosto para ela. Com o curso, ela teve uma nova perspectiva de vida e ficou muito surpresa com o convite de ministrar uma aula.

Ela pretendeu dar aula de como as alunas podem usar sombra, base e batom para que elas consigam valorizar as suas belezas, assim como ela aprendeu a valorizar a dela. Bonito, não é mesmo?

“Vermelho é quente. Para mim, café é vermelho”

A Nathália Santos, tem 24 anos e é cega desde a sua adolescência, por conta de uma condição rara que se chama retinose pigmentar apigmentada. Ela adora fazer maquiagem em frente ao espelho, então quando ela se sente bem internamente, ela acredita que na frente do espelho ela vai estar tão maravilhosa quanto se sente.

Ela nunca enxergou cores, apenas distinguia tons de cinza, branco e preto. Quando ela perdeu completamente a sua visão, percebeu que gostaria de continuar se vestindo de acordo como sempre gostou: cheia de estampas e de cores. Nesse tempo, ela começou a usar maquiagem, recebendo a ajuda da sua mãe.

Nathália descobriu a sua condição rara com 12 anos de idade. Antes, todos acreditavam que ela possuía miopia, por isso ela tinha que estudar em livros ampliados e com outros recursos criativos. Ela leu mais de 200 livros entre os seus 12 e os seus 15 anos, quando a visão começou a ficar mais fraca.

Ela aprendeu a ler braile em uma semana porque já não conseguia mais ler. Então, para identificar as cores, ela atribuiu sentidos e emoções a ela. Por exemplo, o vermelho é quente, então o café para ela é vermelho.

Quando ela vai combinar as suas roupas ou escolher a sua maquiagem, ela tenta reviver essas memórias sensoriais e conta com alguns truques também, como marcar as embalagens e etiquetas para não errar. Ela não sabe como são as cores, mas elas despertam uma emoção nela. Quando ela se arruma, ela escolhe o que ela quer passar com as cores que está vestindo.

Na hora da maquiagem, ela acompanha os contornos do seu rosto, usa as mãos para espalhar todos os produtos. A base ela consegue espalhar pela pele com grande facilidade, depois ela pode aplicar o batom.

Ela usa um cotonete com demaquilante ao redor dos seus lábios para ter certeza que não deixou nada fora do lugar. Quando ela vai aplicar o rímel, ela leva os cílios ao produto e não o contrário. Diz ela que não é nada difícil, pois ela conhece o seu corpo e sabe onde cada coisa deve estar.

 

 

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