Discutir a relação ajuda ou piora?

Discutir a relação ajuda ou piora?
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O que o seu companheiro faz que te irrita, magoa ou entristece? Pense em 4 respostas. Um estudo fez essa pergunta a homens e mulheres em um laboratório na Universidade do Texas. Apenas na primeira fase do estudo, feita com 107 estudantes universitários, Buss chegou a 147 motivos com potencial para motivar uma conversa ou discussão: “ele deixa a tampa do vaso levantada”, “ela me corta quando estamos conversando em uma roda de amigos”.

Você, que tem o mesmo problema com a tampa da privada, acha que resolve bater um papo sobre como essa atitude denota a falta de comprometimento dele com a casa? A pergunta fatal é: DR funciona? Uma pesquisa da Universidade do Estado de Ohio que seguiu 1 000 casais por 20 anos é desanimadora: tendo vocês muitos ou poucos motivos para discutir, esse nível de conflito não tende a mudar ao longo da vida a dois.

Seria essa a desmistificação do conselho de que “devemos sempre conversar sobre os problemas”? Bem… Anos de pesquisa sobre relacionamentos mostram que para uma história ser feliz e duradoura não interessa tanto o quanto vocês discutem, ou o que discutem. A DR, ou mesmo a briga, seria mais um indicador de como anda a saúde da relação – ou as relações de poder entre o casal – do que um antídoto para seus males ou um caminho para mudar a outra pessoa.

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Não importa como uma conversa começa, mas sim como ela termina

São vários os psicólogos que fazem estudos analisando as estratégias de comunicação que as pessoas usam numa discussão a dois para tirar conclusões decisivas. Entre os casais, por exemplo, há quem goste de fazer a linha “entre tapas e beijos”, dizendo que mesmo as mais violentas discussões são parte do jogo e até úteis, caso terminem em excitantes sessões de sexo. Mas isso está mais pra conversa de música sertaneja.

Os especialistas em DR da Universidade de Washington comandados pelo psicólogo John Gottman defendem que manter a compostura é importante e que os primeiros 3 minutos de uma discussão são essenciais para saber se ela será construtiva ou ajudará o relacionamento a degringolar de vez.

Para isso, filmaram 124 casais recém-casados e identificaram sinais positivos e negativos em suas conversas. Resultado? Quem começa de maneira calma e gentil se sai melhor do que quem usa palavras duras ou faz críticas rancorosas logo de saída. “Você nunca quer fazer sexo.

Qual é o seu problema?”, por exemplo, não é um bom approach. Dar sinais de que o que a outra pessoa está falando não interessa, tipo virar os olhos ou cruzar braços e pernas, também pode fazer uma conversa sobre quem busca as crianças na escola terminar em divórcio.

Além de manter um tom de voz calmo e uma postura relaxada, é bom prestar atenção aos pronomes usados: casais que, ao contar sua história de vida a dois, usaram mais o “nós” e “nossos” tendiam a ser mais felizes juntos do que aqueles que usaram “eu”, “meu”, “você” e “seu”.

Essa escolha pode revelar que a pessoa está mais interessada na sua própria vida do que em aprofundar ou resgatar a conexão com o parceiro. Usar muito “você” em uma discussão também denota que o sujeito pode estar mais a fim de acusar o outro do que de pensar em uma solução para o impasse.

Homens não gostam de DR por medo de expor sentimentos

Bem, além de ser mais eficiente como diagnóstico do que como estratégia de resolução de conflitos, apostar na discussão dos problemas para melhorar a vida a dois esbarra em outro porém, um que rende horas de papos telefônicos entre amigas – homem não gosta de discutir a relação.

Por quê? Até os cientistas divergem na resposta, mas ela parece não se resumir ao clichê de que mulheres são de Marte e homens são de Vênus.

É fato: a maioria dos caras não gosta mesmo de conversar sobre os problemas, e isso desde a infância. Mas não é porque tenham vergonha de se abrir ou achem que é sinal de fraqueza mostrar seus sentimentos. É por desacreditar na eficiência mesmo.

Segundo uma pesquisa feita pela Universidade do Missouri com 2 mil crianças entre 8 e 16 anos, eles pensam que uma discussão só torna os problemas maiores e tendem a considerá-la perda de tempo. Preferem desencanar do conflito e ir se distrair com outras atividades (que tal um joguinho de futebol? um amorzinho gostoso?).

Parece haver ainda um fator biológico envolvido na descrença deles quando elas vêm dizer que “é preciso colocar os pingos no is”. A hipótese de Dolf Zillmann, da Universidade do Alabama, é que os homens demoram muito mais para se recuperar de uma situação de estresse do que as mulheres.

Para testar essa ideia, Zillman colocou moças e rapazes para ter seus batimentos cardíacos e pressão sanguínea monitorados. Enquanto isso, um pesquisador se encarregava de irritar os participantes demonstrando um comportamento hostil e discordando do que diziam. Depois, o mala saía da sala e pedia às cobaias que relaxassem. Diante do comportamento do pesquisador, o coração dos homens reagiu mais rápido e, mesmo depois de 20 minutos de descanso, sua frequência cardíaca ainda não tinha voltado ao normal.

Já as mulheres se enervaram menos e conseguiram manter maior controle da situação. Um dado curioso é que os homens só se sentiram aliviados quando puderam, de algum modo, se vingar do sujeito que os perturbou.

Os batimentos e a pressão voltaram ao normal quando eles preencheram um questionário expressando sua insatisfação com o monitor mala. Para a pesquisadora, esse alto investimento metabólico em se inserir numa discussão pode ser uma explicação fisiológica para a resistência masculina à DR.

Não pode haver segredos entre um casal

Alguma vez já te ocorreu que, para alguns casais, o problema a ser conversado é justamente a diferença da disposição de cada um para conversar? Eles discutem porque nunca conseguem discutir direito. Para Amir Levine, neurocientista da Universidade de Colúmbia, casais que funcionam não são os que mais conversam, mas os que têm necessidades parecidas em relação a conversar.

Seu ponto de partida é a teoria do vínculo (attachment theory), segundo a qual, em relacionamentos românticos, há três maneiras de as pessoas perceberem e responderem à intimidade.

Há os seguros, que se sentem confortáveis com a intimidade e não pensam tanto sobre o que está rolando na relação; os ansiosos, muito preocupados com o andamento do barco e temerosos a respeito do amor do parceiro, e os esquivos, que consideram a intimidade uma perda de independência e evitam proximidade demais.

Dinheiro, sexo, trabalhos domésticos. Casais de todos os tipos, gays ou heterossexuais, discutem basicamente os mesmos problemas. A diferença é como resolvem seus conflitos – e nisso os casais do mesmo sexo saem na frente.

Na década de 1990, John Gottman, psicólogo da Universidade de Washington, começou a gravar em seu laboratório as discussões de casais formados por duas mulheres, por dois homens, e por uma mulher e um homem. Ele avaliou os vídeos durante 12 anos para chegar à conclusão de que casais do mesmo sexo costumam usar estratégias de comunicação mais eficientes na DR.

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