Maquiador ensina mulheres cegas a se maquiar 

Maquiador ensina mulheres cegas a se maquiar 
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Que a maioria das mulheres adoram maquiagem e adoram saber se maquiar ou aprender a se maquiar nós sabemos. Sabemos também que conseguir se maquiar bem é difícil e requer muito cuidado, atenção e muita prática até o resultado ser perfeito.

Se a gente já acha horrível ter que fazer aquele delineador gatinho como será que as mulheres portadoras de deficiência ou problema visual se sentem? Muitas vezes nossa sociedade como um todo tende a achar que pessoas deficientes são diferentes nas coisas rotineiras.

Ninguém para pra pensar que o surdo também vota, que o cadeirante também vai ao cinema ou shows, que o cego também trabalha e vai para festas. Foi pensando nisso, que mulheres cegas também são mulheres como quaisquer outras, que em 2008 o maquiador Marcos Costa começou a pensar e a desenvolver um projeto para ensinar a automaquiagem para mulheres portadoras de algum tipo de deficiência visual.

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Vindo de uma família espírita que sempre ajudou causas e pessoas, Marcos, após já te rum carreira consolidada maquiando inúmeras celebridades incluindo a modelo Gisele Bündchen, decidiu usar seu conhecimento e seu trabalho para um bem maior.

Começou dando uma aula informal para sua vizinha que era deficiente visual e intuitivamente o projeto vou crescendo, se expandindo até ser o que é hoje, um grande incentivo para todas as mulheres cegas a se maquiar e se arrumarem sem precisar recorrer a ninguém.

Independente dos problemas visuais todas as mulheres são vaidosas e gostam de se arrumar, as mulheres com essa condição geralmente recorrem aos truques de maquiagens mais seguros, como um pó compacto no rosto, rímel, batom e pronto.

Sempre sem arriscar muito e sempre recorrendo a alguém antes de sair de casa para perguntar se estava tudo certo com a maquiagem.

É difícil se imaginar tendo que se maquiar usando tão poucos produtos e técnicas não é mesmo? Mas é isso que as mulheres com deficiência visual sofrem quando o assunto é vaidade, beleza e maquiagem. Sempre tendo que se limitar muito e recorrer aos outros.

Hoje em dia já é comum cursos de automaquiagem para mulheres cegas e com baixa visibilidade, dependendo da complexidade e do nível de maquiagem que a mulher quer aprender os curso podem durar até mais de 5 meses.

Tanto no curso do maquiador Marcos Costa como nos outros cursos oferecidos por Instituições publicas ou privadas o grande segredo e truque na hora de ensinar mulheres com deficiência visual a criar suas maquiagens é conseguir com que elas estejam seguras e que conheçam muito bem o formato e as delimitações do seu resto.

Como sabemos pessoas com algum tipo de deficiência em qualquer um dos sentidos, acaba tendo os outros aguçados para compensar e facilitar o dia a dia da pessoa e o contato com o mundo.

Enquanto na maquiagem para mulheres que enxergam é baseada quase exclusivamente na visão, nas mulheres com deficiência visual o sentido que vai guiar todo o trabalho é o tato. E isso começa antes de qualquer maquiagem, enquanto cada uma conhece e delimita bem as divisões, ossos e espaços que compõe todo o rosto.

Vale ressaltar que a dificuldade e forma de ensinar vão variar conforme a necessidade de cada mulher.

Por exemplo, mulheres que ficaram cegas, mas em algum momento já enxergaram e tem noções de cores, texturas, do seu rosto no espelho tem um repertorio completamente diferente de mulheres que possuem a deficiência de nascença.

Os dois casos são ainda diferentes de quem tem apenas pequenas porcentagens da visão. Como cada uma tem um repertorio diferente, vai ter um atendimento e um entendimento diferente. Por isso é necessário lembrar que existe esse cuidado e necessidade específica do histórico de cada uma.

As principais dicas dadas pelos maquiadores que ministram o curso de auto maquiagem para deficientes visuais é usar sempre as mãos, sentir o rosto e dispensar o uso dos pinceis.

Inclusive apesar de ultimamente ser menos comum por conta da explosão que tutoriais de maquiagem viraram, o uso dos dedos na preparação de uma make era muito comum e até muito utilizado por maquiadores profissionais.

Poder sentir o que está fazendo e ter o produto em contato com os dedos e a pele têm um ótimo resultado e pode ser uma técnica feita tanto por mulheres com deficiência visual quanto por mulheres que enxergam.

Na base, por exemplo, aplicar a base no dorso da mão, uma ou dias apertadas nas de válvula são o suficiente, usar os dedos indicador, médio e anelar como esponja e aplicar a base em todo o rosto utilizando esses três dedos, hora espalhando e depois dando batidinhas para a base aderir bem na pele e ficar com um aspecto natural.

Passar o pó compacto com um pedaço de algodão no lugar do pincel também é uma boa dica para ter controle do produto nas áreas do rosto. Nos olhos o segredo é sentir bem o formato do olho, o osso do côncavo, a profundidade da dobra do olho e aplicar a maquiagem também com os dedos.

Opte pelos tons claros no início para conseguir se acostumar e depois ir para os tons mais escuros e esfumados.

Na hora de usar o blush, o segredo é utilizar um pincel bem fofo, mas sempre com o auxilio das mãos para delimitar a área das bochechas em direção as têmporas e sempre passar o pincel de maneira bem leve, alternando movimentos de vai e vem e circulares.

O grande ganho com os cursos de automaquiagem para essas mulheres é o resgate da autoestima e da confiança de muitas delas. Relatos comprovam que saber como passar sombra, batom e outros truques de maquiagem realmente mudam a vida de muitas dessas mulheres.

A busca pela independência sempre é algo que pessoas deficientes estão buscando. Para mulheres cegas ou com baixa visibilidade, poder exercer um ato tão simples para todas as outras mulheres

Como conseguir se arrumar antes do trabalho ou para algum jantar é uma vitória que vai muito além de ficar bonita. Muito mais que ensinar a maquiar, esses cursos dão a essas mulheres um pouco mais da independência, da segurança e da alegria que elas precisam.

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