Relacionamento abusivo não pode ser bom para você

Relacionamento abusivo não pode ser bom para você
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Um dos meus filmes favoritos é Ruby Sparks, a namorada perfeita. É uma trama aparentemente simples, mas que trata de um assunto um tanto pesado:  relacionamento abusivo.

Alguns anos atrás eu não conseguia enxergar o motivo pelo qual as pessoas não saiam desses relacionamentos e, aliás, por que começavam a se relacionar com alguém que as fizesse mal. Acontece que essa era uma visão simplicista de uma interação bem mais complexa do que uma pessoa que está de fora da relação pode perceber.

Relacionamento abusivo: se é pesado não te faz bem

Primeiramente, esclarecer o que é um relacionamento abusivo é necessário. Ele não é abusivo apenas quando envolve violência física. Na verdade, uma relação se torna abusiva quando a vontade de um se sobrepõe a de ambos. Existem pessoas que viveram relacionamentos abusivos sem nunca terem levado um tapa seque. E estas levam cicatrizes emocionais disso para o resto de suas vidas sentimentais.

O abusador não tem um padrão de aparência ou personalidade. São pessoas comuns e boas que simplesmente projetam suas inseguranças e traumas no outro. Ninguém se apaixona por essa persona. Ninguém é o abusador apenas. Isso é algo que a pessoa se torna conforme o desenvolver da relação.

Embora não possamos definir o perfil do abusador, os relacionamentos abusivos seguem um padrão assustador. No início ele (a) é gentil e companheiro (a). É uma pessoa que todos querem ter por perto.

Tudo é tão perfeito que você nem consegue acreditar

Então, de repente, ele começa a se incomodar com algum amigo seu. É só ciúmes, ele diz. Tem medo de te perder. Não é que não confie em você. É nos outros que ele não confia. E você acha isso aceitável, afinal, é normal sentir ciúmes.

Logo em seguida ele começa a monitorar teus horários. O número de mensagens e ligações dobram. Ele quer saber aonde você está e com quem está. De um amigo seu que ele desconfiava, passam a ser vários. As críticas então começam. Ele pergunta por que você vai usar aquele batom vermelho logo hoje. Por que aquela camisa? Por que se arrumou tanto?

E então isso te incomoda um pouco, mas você faz de tudo para não brigar. As críticas passam de esporádicas para rotina. Ele não só crítica mais suas escolhas de visual, como sua personalidade:
– Por que você tem que ser tão falante?
– Por que você gosta tanto de se amostrar?
– Por que você é tão carente?

Vocês têm a primeira grande briga e ele explode. Você pensa que não conhece aquela pessoa, não acredita que aquilo é real. Ele te xinga das palavras mais baixas, rebaixa tua autoestima e tuas conquistas. E, do nada, aquela frase clássica, ou uma versão dela, surge: “- Ninguém vai te amar como eu te amo!”

No outro dia ele te pede perdão com algo mais ou menos assim:

– Não gosto de brigar com você. Eu te amo. Você me força a ser assim!

E, de alguma forma, você acredita nisso. Afinal, todos os amigos dele afirmam que ele é um cara tranquilo que odeia brigas. Então de algum modo você se sente culpada e tenta diminuir o que irrita ele. Se distancia daquele amigo que ele não gosta. Para de usar aquele batom que ele criticou. Tenta falar menos. Resolvidos esses ‘’defeitos’’, ele acha novos e você está sempre tentando não brigar.

Você desabafa com as amigas e elas te aconselham a terminar. E você, todo dia, se enche de coragem, mas não termina. E os meses passam, e elas te criticam por continuar naquela relação. Dizem não entender, e você nem sabe explicar porquê continua.

Como elas entenderiam? Que a pessoa que você ama é a mesma que te faz mal, e sim, isso é possível e perfeitamente comum, mas não normal. A pessoa que te humilha é a mesma que enxuga suas lágrimas quando você se sente derrotada. A pessoa que te diminui é aquela com quem você dorme abraçada e se sente em casa. A pessoa que te crítica é a que te faz rir no final do dia com uma ligação qualquer.

Você não consegue entender como pôde odiar e amar tanto uma pessoa de uma vez só. Ninguém nunca vai entender isso, sabe?

Nem a própria pessoa entende como faz isso com você

Pessoas abusivas não são ruins. São pessoas com problemas emocionais, geralmente tão inseguras que acabam projetando suas inseguranças na outra pessoa. São pessoas carentes que não conseguem suprir a falta de amor e atenção de forma alguma, acabando cobrando isso do parceiro de uma maneira inalcançável.

Em um relacionamento abusivo, as duas partes sofrem. Afinal, elas se amam, só que não maneira correta. Mas é justamente por se amarem tanto que a relação acaba durando por tanto tempo.

Os primeiros relacionamentos geralmente são abusivos. Pessoas jovens são campeãs em inseguranças e carência. Vejo muitas amigas minhas enfiadas em relações dessa espécie que não sabem como sair delas. Sendo a parte abusiva, ou abusada, reconhecer que existe um problema é o primeiro passo para resolvê-lo. Conversar sobre isso com o outro é de vital importância para saúde dos dois.

Na maior parte das vezes, o melhor a se fazer é, de fato, encerrar a relação.

Relacionamentos abusivos desgastam as duas partes deste, e muitas vezes deixam traumas que acabam se manifestando em relações futuras. Ou então instalam uma ideia ruim do que é estar em uma relação.

Saber a hora de terminar e saber seus limites é importante para se sair de um  relacionamento abusivo. E não ter vergonha de admitir que tem um problema e procurar ajuda profissional de um psicólogo é essencial.

Lembre-se também de que o amor não tem que ser uma coisa pesada para nenhum dos lados. Quando o sentimento se torna um fardo, é sinal de que ele não é saudável, mas sim corrosivo.

Não tenha medo de conversar sobre isso. Faça o que for melhor pra você e não se sinta culpada por frustrar as expectativas de ninguém.

 

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